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Apresentação

Vamos contar uma história de uma experiência realizada no semiárido brasileiro com famílias agricultoras. É sobre partilha, cooperação, irmão ajudando irmão para que todos possam se beneficiar e assim combater a miséria de um povo que com pouco ainda é solidário.

É a partir desta história que o projeto Promoção do Desenvolvimento Local por Meio de Fundos Solidários na Região Norte do Brasil quer desenvolver na região Amazônica.

No semiárido brasileiro, as famílias agricultoras desenvolvem uma importante forma de organização do trabalho baseado nas relações de solidariedade. Quem nunca dividiu a pouca água de beber, a carne do bode ou do gado abatido com os vizinhos? Quem nunca participou de um mutirão para limpar barreiro, para limpar a roça, colher ou debulhar cereais? Quem nunca pegou ou passou uma receita de planta de remédio? Quem nunca pegou semente emprestada para pagar no final do inverno?

Passa o tempo, mudam as formas de fazer, mas essas práticas se mantêm firmes. O povo ainda faz mutirão para debulha cereais, agora mecanizada, para dar continuidade às antigas debulhas manuais, aquelas que eram feitas com paus e pedras. A manutenção dessas práticas no tempo demonstra sua importância como condição essencial para a resistência, convívio e melhoria das condições de vida no semiárido.

Foi resgatando e reforçando essa cultura da partilha e da solidariedade que as dinâmicas que compõem a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA – PB) vêm disseminando novas práticas de cooperação e ajuda mútua, como os FUNDOS ROTATIVOS SOLIDÁRIOS (FRS). Baseados em sistemas comunitários mais estruturados para o financiamento da agricultura familiar e a aquisição de novos bens, os fundos solidários são uma importante ferramenta de democratização das inovações.

Na região de atuação da ASA – PB existem inúmeras modalidades de fundos que podem envolver ou não a circulação de moeda: os bancos de sementes comunitários são como bancos do bem, pois têm como objetivo permitir o acesso a sementes no momento certo do plantio. Os fundos rotativos de animais podem ajudar uma família a forma seu rebanho ou melhorar sua criação por meio do repasse de crias. Já os fundos rotativos servem para a constituição de uma poupança comunitária para o fortalecimento da agricultura familiar. Por meio desse fundos , as famílias podem adquirir barragens subterrâneas ou canteiros econômicos, produzir cercas de tela de arame, plantar campos de palma, reformar suas casas ou até ajudar a pagar alguma emergência na família.

Na prática, as formas de organização dos fundos rotativos são bastante diferentes. Cada comunidade desenvolveu um jeito de administrar seus recursos.


O que pretendemos é seguir o exemplo já desenvolvido no Semiárido e aplicar à realidade Amazônica, pois aqui também já se desenvolvem Fundos Solidários em comunidades ribeirinhas, quilombolas e cooperativas e/ou associações. É com o projeto de Fundos Solidários na Região Norte do Brasil que vamos contar nossa história.

A história que acabamos de contar faz parte da cartilha CORDEL DO FUNDO SOLIDÁRIO –  Gerando Riquezas e Saberes disponibilizado pela ASA, assim como o documentário e as imagens que compõem o blog.

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